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sexta-feira, março 07, 2008

Por querer

Silvia caminhou sozinha através do parque escuro e escolheu um banco isolado o suficiente para pensar e desabou. Com certeza não convinha a uma guria, ou qualquer um que tivesse algo a perder, andar àquelas horas em tal lugar. Não via ninguém por ali, somente vultos que deslocavam-se por entre as árvores, como se o movimento fosse necessário para a sobrevivência naquele habitat.

Vinha da rua pouco iluminada que presenciara seu quase choro evidenciado por seus olhos vermelhos. Havia postes de quando em quando, intercalados por escuros que a protegiam. Mas ainda podia ser vista por qualquer estranho que passasse. Um rapaz fumando na janela do prédio da outra calçada a deixou mais envergonhada. Preferia sair dali.

Tinha há pouco descido do ônibus no qual o cobrador, o casal do segundo banco e o senhor no fundo olhavam-na como a um animal raro que quer explodir de tanto chorar. O motorista continuou a guiar mas, mesmo assim, a viagem pareceu durar uma eternidade, tantas voltas deu aquele ônibus. As curvas misturadas com sua cabeça cheia deixaram-na enjoada. Precisava urgente de ar fresco.

Saiu do prédio sem saber se sentia raiva ou uma tristeza vazia e escura e que toma o lugar de todas as outras coisas até deixar tudo completamente gelado. Não era a primeira, mas não sabia se não era a última. Os seus olhos tinham uma coisa diferente desta vez. Ele disse e mirou prá acertar. Ele escolheu as palavras pela dor que elas trariam.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Parado no ar

Contradança, concordando com o par que vem
Acordando em sossego
Vem servindo de novo

Vem zunindo, soando e silêncio
Suado de novo,
Soando e suados, caímos os dois
Acabados

Contratempos, tantos e quantos
Como que pedalando contra o vento
O quanto pudesse agüentar
Ainda em silêncio

Mais, mais
Mais e mais
Do mesmo que não canso de provar
E acabei lambuzado

Espera um pouco,
Deixa o vento passar
Vou ficar aqui parado
Em silêncio.

quarta-feira, julho 25, 2007

Quadro úmido

passo por ali pra me alimentar
do teu ar
sai por uma fresta
um vapor de banho teu

passo por ali pra me molhar
ficaram gotas pingando
- dá pra ver um xampu
misturo na cabeça
banho-me com espuma de ti