repetição repetição
atenção vamos repetir
repetição repetição
acostume esquecer
repetição repetição
calma só um pouco mais
repetição repetição
até o silêncio estilhaça
repetição repetição
sintetiza o tempo
repetição repetição
corrói o espaço
pra quem não caiu
repete
quinta-feira, abril 26, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Caixa de fotografias
Encontro vago, encontro cego
um pouco de mudança e
um tanto assustado.
Mesma como se fosse ontem.
Dias assim, acompanho calado,
mudo de pavor,
modo de espera,
Ponho de lado, sem discussão.
Ponho à prova tua imagem,
rabiscando baixinho, traço sereno.
Risco rasgado,
Grafite guinchando em papel.
Encontra mesma mudança
Num vago susto desperta
Fitas a postos e todos olham
Meu papelão em widescreen.
Fotos de ontem e de outros dias
Não mostram o mesmo
Mudam comigo
Revelam quem me tornei.
um pouco de mudança e
um tanto assustado.
Mesma como se fosse ontem.
Dias assim, acompanho calado,
mudo de pavor,
modo de espera,
Ponho de lado, sem discussão.
Ponho à prova tua imagem,
rabiscando baixinho, traço sereno.
Risco rasgado,
Grafite guinchando em papel.
Encontra mesma mudança
Num vago susto desperta
Fitas a postos e todos olham
Meu papelão em widescreen.
Fotos de ontem e de outros dias
Não mostram o mesmo
Mudam comigo
Revelam quem me tornei.
D'EMO: exorcize-se
meu melhor amigo,
finalmente tomei coragem, ah
mandei a minha demo
por e-mail, para a rádio
e um txt anexado
com as cifras do meu sofrimento
disseram que eu tenho uma queda por lágrimas
e que isso de lamento é ok, que tá saindo bem
você sabe como eu sou, choro por nada
tudo é emotivo
e me dê motivos então, ah
me dê motivos, então ah
encharquei uma guitarra nova com água e sal
é de dar dó
pra parecer retrô, acho que pegou
vou ser all star e dizer que nem tô
vou chorar pra sempre, reclamar do que restou
pra mim é o fim
sabe, acho que esse negócio de nostalgia com derrota contagia
dá pena, cara, dá muita pena
e no ócio dá vontade de chorar
(eu não tenho o que fazer)
não demora outra demo minha sai, espera só
que eu tô só, esperando a outra faixa:
é esperar e a demo baixa
tipo um download, mp3, saca?
finalmente tomei coragem, ah
mandei a minha demo
por e-mail, para a rádio
e um txt anexado
com as cifras do meu sofrimento
disseram que eu tenho uma queda por lágrimas
e que isso de lamento é ok, que tá saindo bem
você sabe como eu sou, choro por nada
tudo é emotivo
e me dê motivos então, ah
me dê motivos, então ah
encharquei uma guitarra nova com água e sal
é de dar dó
pra parecer retrô, acho que pegou
vou ser all star e dizer que nem tô
vou chorar pra sempre, reclamar do que restou
pra mim é o fim
sabe, acho que esse negócio de nostalgia com derrota contagia
dá pena, cara, dá muita pena
e no ócio dá vontade de chorar
(eu não tenho o que fazer)
não demora outra demo minha sai, espera só
que eu tô só, esperando a outra faixa:
é esperar e a demo baixa
tipo um download, mp3, saca?
sábado, abril 21, 2007

Sim, é um jogo. E a incapacidade de conhecer ao mesmo tempo todos os jogadores e seus movimentos, todos os cenários e suas probabilidades é que o tornam tão interessante. A pergunta que cabe a partir daqui é, quem realmente é jogador e quem é peça do jogo.
sexta-feira, abril 20, 2007
Apito inicial
É um jogo - exatamente um jogo. Muito complexo, é verdade. A questão se dá no acesso às regras, no modus operandi. Uma rede inapreensível de interferências, onde cada ser tem seu próprio ponto de vista, individual apenas como manifestação, posto que é influenciado pela infinidade de elementos copartícipes do jogo. É importante observar que a mencionada "individualidade apenas como manifestação" está associada precisamente aos pontos de vista. Um ser não é seu ponto de vista, nem age ou reage unicamente sob seus ditames - é, então, um referencial, constantemente se movimentando com o decurso da experiência. O referencial funciona como um ponto de partida, mas não é ele que gera o movimento do ser. Há o que Schopenhauer chamou vontade de ser. Esta vontade está associada ao mundo exterior, e, dessa maneira, pode entrar no jogo com atribuições de jogadora, já que tem acesso tanto aos dados da realidade como às potencialidades percebidas pela consciência. Ocorre que há uma relação de interdependência entre vontade e objetos exteriores, pois que são consumidos um na determinação do outro. Esta interação impõe limites, pois o sentido da vontade está sempre contaminado pelo mundo exterior, configurando-se assim dentro de suas dimensões.
O homem parece sofrer exatamente por desconhecer as regras que, talvez suponha, o libertariam. Ele quer querer. Da presunção de sua incapacidade para isso é que surge o medo e outras formas de não-ser. A realidade, então, está impregnada da negação de seres, e, mais, da afirmação e do acolhimento desta negação. A prática passa a dar-se pelo inverso. E, estranhamente, sentimos como que uma saudade de algo que não vivemos; e, estranhamente, temos esperança quando tudo, aparentemente, tende ao caos.
O homem parece sofrer exatamente por desconhecer as regras que, talvez suponha, o libertariam. Ele quer querer. Da presunção de sua incapacidade para isso é que surge o medo e outras formas de não-ser. A realidade, então, está impregnada da negação de seres, e, mais, da afirmação e do acolhimento desta negação. A prática passa a dar-se pelo inverso. E, estranhamente, sentimos como que uma saudade de algo que não vivemos; e, estranhamente, temos esperança quando tudo, aparentemente, tende ao caos.
segunda-feira, abril 09, 2007
Diluído
A existência é anterior à representação da existência, claro. Tal evidência dá pistas para uma verdade menos óbvia, que diz respeito à substancialidade das coisas: nenhum signo encerra um significado em sua totalidade. É sempre como uma fotografia que, por mais ampla, nunca capta o todo. De modos diversos, o mesmo ocorre com todas as formas de compreensão e de reprodução da realidade (como é o caso da linguagem) - se bem que a própria compreensão já possa ser entendida como uma reprodução, já que ela também se dá por meio de uma linguagem, talvez a que temos menos acesso, mas ainda assim uma linguagem, pois que o cérebro não faz senão representar. Ocorre que estamos acostumados a tomar conhecimento da existência representada, tendo em vista que, se nossos sentidos nos prestam essa possibilidade, nos restrigem a outra, que seria ter acesso à existência in natura. Parece mesmo que a aproximação a esta existência pura não se dá pela via dos sentidos, pois nunca se encontram certezas de que as verdades estão, de fato, acercando-se da Verdade, ou seja, isto nunca é sabido, é, no melhor dos casos, intuído, configurando-se, assim, mais como um sentimento. O modo racional de representação do infinito é convencionado, e não poderia ser de outra maneira: o infinito não cabe em saber, só pode ser intuído, por isso é taxado por símbolos quando referido, como acontece com a própria palavra infinito. Sozinha, a palavra diz nada (aliás, nada ao infinito), de maneira que só temos uma idéia do que ela pode representar através de sua associação com outras palavras.
[Por enquanto, este pensamento de segunda pára aqui. Já posso ler inconsistência na minha premissa ("Tal evidência dá pistas..."), mas posso ter acertado em alguma coisa (tendo, quem sabe, atirado para muitos lados). O fato é que a idéia de limite tendendo a zero, com que tomo contato agora em Cálculo I, foi que me (ins)pirou. Espero esclarecer alguns pontos que para mim são relevantes disso tudo, o mais breve. E ir adiante.]
[Por enquanto, este pensamento de segunda pára aqui. Já posso ler inconsistência na minha premissa ("Tal evidência dá pistas..."), mas posso ter acertado em alguma coisa (tendo, quem sabe, atirado para muitos lados). O fato é que a idéia de limite tendendo a zero, com que tomo contato agora em Cálculo I, foi que me (ins)pirou. Espero esclarecer alguns pontos que para mim são relevantes disso tudo, o mais breve. E ir adiante.]
segunda-feira, abril 02, 2007
Nunca outra vez
Maurício esticou o braço e abriu a porta do carona. Não foram trocadas palavras, e, a bem dizer, nem olhares se cruzaram. Bastou-lhe a mini-saia. À Anabela, bastaram as rodas imponentes da camionete de Maurício. Imperava o silêncio na noite, bem abaixo das estrelas. O automóvel fez um ruído raso e dobrou na outra esquina. Imóvel, misturado a alguns sacos de lixo no outro lado da rua, dois olhos sobressaltaram-se ao acompanhar a cena. A força derradeira não serviu nem pra levantar. Anabela tinha pernas de vender. Ele era o resto, era o rastro de borracha no asfalto. Ele ficava, Anabela ia. Não sabia aonde.
sábado, março 31, 2007
Quem sabe, amanhã
Mais do que isso, queria possuir um corpo como um animal. E lembrava dela assim mesmo, com vontade, como uma oportunidade para liberar sua mais estranha energia, que mandava nele de maneira incompreensível. Ela era três, uma a cada momento. Agora era fêmea, e tinha se escondido. Ele precisava achá-la, era a única que correspondia a suas investidas. Ela já esteve em instituições psiquiátricas e de vez em quando, nas vezes em que a fome aperta, recorre aos albergues. Esses lugares são difíceis para homens. Tem que estar sempre de olho aberto. Um invejoso, um ladrão, qualquer coisa. Por nada se dá o acontecido. Para mulher não. O pessoal se passa, mas Anabela não se importa, gosta e ganha mimos dos companheiros de noite, como se estivesse fazendo algum favor para eles.
Depois que a encontrava, e se conseguia resolver-se, ela virava um fardo. Ela mudava, e ele queria distância, que se escafedesse de uma vez. Ficava rude com a moça, coitada. Fazia pouco caso, xingava e mandava para longe. Às vezes ela ia, resmungando palavrões desconexos e alternando gritos que escandalizavam quem estivesse ao seu alcance. Cada um ia feder pro seu lado. Anabela desaparecia por dias e com o passar do tempo, quando as vontades voltavam, ele se arrependia. Na verdade, arrepender não é o termo exato. Não tinha noção do mal que tinha feito, não assimilava a culpa. Passado um bom par de dias, suas ações passadas se confundiam, e não discernia se ontem era o dia em que conseguira cachaça ou se fora sua prova de cálculo. Mas penava pela sua falta, de qualquer maneira.
Mas outras vezes Anabela não tomava o rumo. Agüentava as carraspanas e os maltratos no osso do peito, e permanecia por volta. Ela era um cachorrinho que, não sabe bem por que, mas deve obediência a seu dono. Mesmo sob fogo cerrado, permanece fiel, e prefere não se afastar. Nestas ocasiões, ele esquecia do sentimento de asco que o dominava, e, antes da vontade animal voltar a reinar, uma outra forma de relação toma lugar. Uma cumplicidade toma conta. Eles se entendem, admiram o céu ou o parque, aceitam e aprovam a companhia. Quase sem palavras, vivem por breves momentos, uma vida em comum.
Depois que a encontrava, e se conseguia resolver-se, ela virava um fardo. Ela mudava, e ele queria distância, que se escafedesse de uma vez. Ficava rude com a moça, coitada. Fazia pouco caso, xingava e mandava para longe. Às vezes ela ia, resmungando palavrões desconexos e alternando gritos que escandalizavam quem estivesse ao seu alcance. Cada um ia feder pro seu lado. Anabela desaparecia por dias e com o passar do tempo, quando as vontades voltavam, ele se arrependia. Na verdade, arrepender não é o termo exato. Não tinha noção do mal que tinha feito, não assimilava a culpa. Passado um bom par de dias, suas ações passadas se confundiam, e não discernia se ontem era o dia em que conseguira cachaça ou se fora sua prova de cálculo. Mas penava pela sua falta, de qualquer maneira.
Mas outras vezes Anabela não tomava o rumo. Agüentava as carraspanas e os maltratos no osso do peito, e permanecia por volta. Ela era um cachorrinho que, não sabe bem por que, mas deve obediência a seu dono. Mesmo sob fogo cerrado, permanece fiel, e prefere não se afastar. Nestas ocasiões, ele esquecia do sentimento de asco que o dominava, e, antes da vontade animal voltar a reinar, uma outra forma de relação toma lugar. Uma cumplicidade toma conta. Eles se entendem, admiram o céu ou o parque, aceitam e aprovam a companhia. Quase sem palavras, vivem por breves momentos, uma vida em comum.
quinta-feira, março 29, 2007
À luz do poder
Se aquele homem tinha seu caminho desenhado pelas árvores, não viemos nós todos também sendo mais direcionados do que diretores? Nos enquadramos em tantas fronteiras das quais não temos ciência, que soa quase utópico falar em verdadeira liberdade, quem dirá a generalizada.
Se, por um lado, a liberdade não é concedida por quaisquer tipos de ditaduras, por outro, ela tampouco parece estar dada, de maneira natural. Sendo pragmático, a liberdade parece não ter lugar nesse mundo, ainda que a pregação e a instituição do individualismo suponham o contrário. O poder não deixa sombras.
Se, por um lado, a liberdade não é concedida por quaisquer tipos de ditaduras, por outro, ela tampouco parece estar dada, de maneira natural. Sendo pragmático, a liberdade parece não ter lugar nesse mundo, ainda que a pregação e a instituição do individualismo suponham o contrário. O poder não deixa sombras.
quarta-feira, março 28, 2007
Nunca a manhã
Cruzou o grande parque com trajetos sonambulantes, as árvores desenhando seu caminho. Tinha nelas os únicos sinais de uma vida concreta, que desapareciam a cada curva.
Aquela manhã luzia entrecortada por algumas folhas caducas mais teimosas, e as sombras que projetavam não durariam outro amanhecer. O vazio explorava o espaço com seu facão aniquilador, abrindo tudo ao que o frio fazia nada, cada vez mais penetrante. O homem teimava em ficar de pé, sendo pedra fraca. Demorava-se na vez das árvores, como um cão, na ânsia de encontrar Anabela. O sol lhe concedia um sorriso inexpressivo, que nem chegava a ser amarelo. O mundo desfizera-se de som e, monocromático, era só um destempo que parecia divertir-se com a lenta decadência do homem. Era um passar que não passava, um presente duro, sem fim, tal qual uma fotografia triste que fedia como se fosse muito muito velha.
Mas, tão jovem quanto Anabela, sua morte havia começado nas frestas que seu orgulho fizera em seu viver. O derradeiro impulso, que o submetia ao jogo impiedoso da sobrevida, vinha não sabia donde, literalmente: não sabia. Era só ser, livre e decadente. Quisesse - pudesse querer - trocaria seu inútil livre arbítrio por um corpo de animal.
Aquela manhã luzia entrecortada por algumas folhas caducas mais teimosas, e as sombras que projetavam não durariam outro amanhecer. O vazio explorava o espaço com seu facão aniquilador, abrindo tudo ao que o frio fazia nada, cada vez mais penetrante. O homem teimava em ficar de pé, sendo pedra fraca. Demorava-se na vez das árvores, como um cão, na ânsia de encontrar Anabela. O sol lhe concedia um sorriso inexpressivo, que nem chegava a ser amarelo. O mundo desfizera-se de som e, monocromático, era só um destempo que parecia divertir-se com a lenta decadência do homem. Era um passar que não passava, um presente duro, sem fim, tal qual uma fotografia triste que fedia como se fosse muito muito velha.
Mas, tão jovem quanto Anabela, sua morte havia começado nas frestas que seu orgulho fizera em seu viver. O derradeiro impulso, que o submetia ao jogo impiedoso da sobrevida, vinha não sabia donde, literalmente: não sabia. Era só ser, livre e decadente. Quisesse - pudesse querer - trocaria seu inútil livre arbítrio por um corpo de animal.
terça-feira, março 27, 2007
Alegre Manhã no Porto
Sorte e pontes, o cinza volta às ruas da cidade. Os trapos cobrem, mortos vivos, todos misturados, piolhos e pulgas, toda uma sociedade alimentando-se do asco, da umidade e de epitélios mortos. Abaixo deles, um corpo dá vida e energia a esta cultura que teima em enfrentar o frio que castiga já fazem dias, que chegou com vontade este ano e que não dá sinais de apatia. Os trapos, que ele chama de cobertor, não são suficientes para tornar a temperatura confortável. E mesmo que fossem, seu cheiro elimina qualquer possibilidade de aplicação da palavra conforto.
O desapego completo não veio da nobreza de espirito, veio antes da necessidade e orgulho. O costume anestesia. Já não importa atravancar a passagem, que desviem o olhar, que sua presença seja uma bolha de mau cheiro obstruindo a calçada. Foi-se o tempo que vivia da pena. Pedia, explicava, convencia a caridade com um olhar de fome, de desamparo. Agora espera o resto, as sobras de todos que não desistiram. Moedas não lhe são mais úteis, desde que não é mais permitida sua presença em um bar, um restaurante, uma venda. Antes de ser capaz de mostrar algum dinheiro, é convidado a se retirar, na melhor das hipóteses. Enxotado, com mais freqüência.
O desapego completo não veio da nobreza de espirito, veio antes da necessidade e orgulho. O costume anestesia. Já não importa atravancar a passagem, que desviem o olhar, que sua presença seja uma bolha de mau cheiro obstruindo a calçada. Foi-se o tempo que vivia da pena. Pedia, explicava, convencia a caridade com um olhar de fome, de desamparo. Agora espera o resto, as sobras de todos que não desistiram. Moedas não lhe são mais úteis, desde que não é mais permitida sua presença em um bar, um restaurante, uma venda. Antes de ser capaz de mostrar algum dinheiro, é convidado a se retirar, na melhor das hipóteses. Enxotado, com mais freqüência.
Apostou, há um bom tempo atrás, apostou alto. É o problema de mirar na cabeça, o prêmio é grande, mas não pode errar. Mirou e foi, mas não conseguiu. Quando olhou para trás, não tinha mais caminho de volta. Cabeça dura, não confessou o erro, não pediu penico. Cada passo à frente distancia mais a encruzilhada, agora resta esperar.
Loucura e sorte, sua história não poderia ser por ele contada. O tempo solitário, a febre, infecções e paranóias destruiram sua consciência. Duvido ser capaz de manter um diálogo inteligível. Mais certo soltar idéias sem nexo, flashes e ilusões, balbucios.
E assim acordou hoje, um pouco mais tarde do que o normal, porque o sol não veio fustigar seu rosto. Sorriu e sentiu o estômago. Precisava comer, sabia onde encontrar algum com o que enganar. A parte mais complicada é a madrugada. A vigília e o medo misturados com a febre que não deixa repousar. Não tinha nada que interessasse a alguém para ser tirado, mas ainda tinha seu corpo para doer. E sádicos existem. A surra que tomou certa vez não o deixa dormir, o mantém alerta. Repousava tranqüilo, ainda não conhecia as maldades escondidas na noite. Mal teve tempo de acordar e se proteger, chutaram-no sem piedade. Foram apenas alguns segundos, correram e ele ficou sangrando ali no chão. Nos dias seguintes a dor continuava a lembrar, e foi difícil dormir. Os outros dormem em bandos, melhor para se proteger. Mas não é um deles, nunca obteve permissão.
Com um mamão passado servindo de refeição, volta a seu mundo. Enrola-se em seu cobertor, seu reino, e lembra-se de Anabela, fazem dois dias que não aparece (não sabe disto com certeza, confunde-se freqüentemente). Quem sabe hoje tem a sorte de receber sua visita.
quarta-feira, março 21, 2007
segunda-feira, março 19, 2007
Teve um Pedro (versão comprimida para concurso)
O rodomoço desejou boa viagem. Verdade que o ônibus estava quase vazio: vindo do Rio, chegara em Porto Alegre com exatos 3 passageiros. Estes uniram-se a nós, 3 amigos, mochileiros de 1ª viagem, e rumamos ao Chile, país mais comprido do mundo. Não era menor a ansiedade: muito chão a percorrer entre a terra de Drummond e a pátria de Neruda. Mas haveria um Pedro no meio do caminho. Chamava-se Pedro o rodomoço. E passou a ser nosso guia.A Argentina nos deu as boas-vindas com infinitos girassóis, mas Pedro, chileno que era, não falaria de flores neste terreno. Chilenos têm rixa com argentinos, de guerras distantes. Sobraram piadas nesse trajeto. Só cessariam frente à imponência dos Andes – era mesmo de silenciar. Sentia-se a solidão dos primeiros exploradores. Na fronteira, paramos. Sem pensar, corremos à água que descia ao pé da montanha. Pedro impediu que a guarda chilena soltasse cachorros contra nós – era proibido. Desculpamo-nos com o fôlego que nos restara. Viria dos céus a resposta de Pedro, e, enquanto a neve caía, tivemos certeza de que o que vissem nossos olhos sobre o Chile, teria o olhar de Pedro, um eterno explorador. Poetizara Neruda, “o mundo era do ar que esperava”.
[Se não gostaste, vá em www.ci.com.br, em "Concurso Viajante CI", e vota neste texto, a fim de que eu ganhe de aniversário uma viagem de um mês pela Europa. Se gostaste, vota mais de uma vez. Os caras sempre conseguem deixar o processo burocrático, mas tu terás paciência, afinal, a Europa é logo ali, e a causa é nobre. Terás apenas que acessar teu imeio uma vez, o que é bem razoável visto a quantidade que tens feito isso diariamente. Muchas gracias, e conto contigo nesta saga. E é contigo mesmo, ainda que penses que, ah, certamente, ele deve estar falando com outra pessoa. ;P]
[Se não gostaste, vá em www.ci.com.br, em "Concurso Viajante CI", e vota neste texto, a fim de que eu ganhe de aniversário uma viagem de um mês pela Europa. Se gostaste, vota mais de uma vez. Os caras sempre conseguem deixar o processo burocrático, mas tu terás paciência, afinal, a Europa é logo ali, e a causa é nobre. Terás apenas que acessar teu imeio uma vez, o que é bem razoável visto a quantidade que tens feito isso diariamente. Muchas gracias, e conto contigo nesta saga. E é contigo mesmo, ainda que penses que, ah, certamente, ele deve estar falando com outra pessoa. ;P]
terça-feira, março 13, 2007
Obrigado
Fiquei muito ocupado e pensei,
tenho que dar prioridade às coisas sérias.
Pensamento seguinte:
quais são as coisas sérias?
As mais importantes?
as de gente grande?
Acho que minha divisão foi de acordo com a cobrança.
Minha,
de fora,
das expectativas,
não importa.
Sei de tudo isto,
e de que adianta?
Adianto sempre
Obrigações.
tenho que dar prioridade às coisas sérias.
Pensamento seguinte:
quais são as coisas sérias?
As mais importantes?
as de gente grande?
Acho que minha divisão foi de acordo com a cobrança.
Minha,
de fora,
das expectativas,
não importa.
Sei de tudo isto,
e de que adianta?
Adianto sempre
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