quinta-feira, julho 13, 2006
Nota de Esclarecimento
Desmanje
De todas as negociações que conheço
muitas acabaram ou pelo ódio ou pelo tédio
(principalmente no Oriente Médio)
mas a nossa, interrompida pelo chamado laboro,
há de terminar no seu fim único – ação (e não vem com choro)
Negociação é uma partida de xadrez onde sempre vence a dama.
quarta-feira, julho 12, 2006
Eles de novo
terça-feira, julho 11, 2006
segunda-feira, julho 10, 2006
Não é brincadeira
Xadrez
sexta-feira, julho 07, 2006
O lado alegre do arco-íris
Chove todas essas tuas palavras!
E depois vê como secam!
Que palavras, que nada!
Desabotoa esses trajes!
Deixa-nos nus!
Conheça-me em braile!
Saiba-me de cor!
Chove, chove,
Essas lágrimas tristes!
E depois vê como eram vapor condensado!
Aquece essa atmosfera!
Corre pro Sol, deita na grama!
E deixa a gravidade nas sombras!
Interpretações
ao dividir as palavras como pão
que hão de fazer os democratas
de que modo semear os restos tais
sem criar pelo acaso armas atômicas
não
palavras não são pares
são inteiras, ímpares
toda palavra par é maldita e falsa
toda palavra par quer dizer o oposto
a palavra certa não se quebra
no máximo se reproduz
Comentário que surgiu no outro blog:
Toda palavra par é madita e falsa??? ai de ti! se souberes que o par é o melhor presente nesta vida.. jamais ousarias em escrever tal atrocidade. par é muito mais que uma palavra, é uma escolha, a que eu escolho. toda palavra par quer dizer o oposto??? realidade triste e contraditória a que descreves, mas não por isso verdadeira, não por isso a plena. Caro amigo, só se é inteiro, quando em par, paz.
Resposta - minha tentativa de contextualizar a poesia com o pensamento em seu instante de criação:
Veja só, amiga, quantas interpretações podem conter tão poucas linhas! Na verdade, falamos de pares distintos, veja bem: quando escrevi, o meu pensamento estava inclinado a falar sobre esses discursos fáceis de cair no gosto do povo, porque feitos de palavras dúbias, com sentidos muito pouco tangíveis, dizendo tudo ao mesmo tempo, sem se posicionar efetivamente, ou seja, dizendo nada. O "par", aqui, representa essa multiplicidade contraditória, que anula a si mesma, quebra-se. E o "ímpar" é pra ser o discurso que, dizendo o que disser - sendo de qualquer natureza -, é uno, no sentido de coerente. Mas esses teus "pares" e "ímpares" podem vir a render algum próximo post! Obrigado por comentar!
E tu, que opinas?
quinta-feira, julho 06, 2006
quarta-feira, julho 05, 2006
Sobre a beleza da fantasia (e talvez sua supremacia sobre a realidade)
Na prorrogação dá 2 a 0 Portugal. Os franceses não tiram da cabeça o gol de Ricardo.
*palavra inventada no meio da confusão
terça-feira, julho 04, 2006
Problemas além-derrota
Eu, sim, digo mais: não estavam nem dispostos a competir, a essência de todo campeonato. Alguém viu algum esforço? Alguma indignação? Alguma luta? Certamente não. Tivéssemos visto, talvez eles fossem recepcionados como a Seleção Argentina, afinal, quem torce não clama por vitória, mas por vontade de vitória.
Seguíssemos o exemplo dos dignos hermanos, dos bravos portugueses, ou dos prevenidos e entusiasmados alemães, estaríamos com a honra salva. Aqui ou na Alemanha, não importa.
Os ossos do ouvido
de dizer
que não
quando tiver atenção, aí sim
pode vir pra mim
que eu te canto novamente
nada ver dizer
que é superficial
só porque ouviu
pela segunda vez
já que é pra depois
guarda lugar pra nós dois
entre martelo, bigorna e estribo
segunda-feira, julho 03, 2006
Será uma música?
Não-des-faz asSIM os nossos laços
Que já não tem mais espaços
Pra gente viver só -->
-->Volta aquI!/ Deixa que Eu te pego a mão
Que eu já sei a direção
Pronde a gente deve rir
Quinze minutos pro carro partir
e o coração partido
mas não, não te envolve mais
com esse tal de sofrimento
que tem muito envolvimento
que termina em perdição
Toma esse anel
que é pra dizer - quando eu não disser
que eu te quero bem, meu bem
que eu te quero bem aqui
ou pra onde a gente ir
e veja bem - onde quer que tu esteja
que importa se eu te espero?
eu te quero, tu me quer - o quero é que importa
abre essa porta
quinze minutos pra gente parar de partir separados
no máximo juntar, repartir, reproduzir
sem deixar
Eu
de lado
Walter Franco

Site oficial: http://www.walterfranco.com.br/
Biografia: http://walterfranco.sites.uol.com.br/walter.html
Discografia: http://walterfranco.sites.uol.com.br/discos.html
Download de álbuns: http://lagrimapsicodelica.blogspot.com/2006/01/walter-franco.html
FIQUE MUDO
Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo
Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro
Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo
Fique à vontade
Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo
Propaganda - Vendem-se novas vacas
O leite é vendido aos litros. Fazem-se queijos, natas, requeijão e todas essas utilidades que não pararam de inventar. Cosumidores são o que não faltam, finalmente o gosto lácteo é experimentado. As pessoas trocam olhares fugitivos, balançam a cabeça afirmativamente, falsamente convictos. "É bom." "Sim." "É bom mesmo." "É sim, tem um gostinho amargo no final mas é ótimo." "Tem? Não senti..." "Talvez tenha sido só impressão, mas o fato é que é bom." Os diálogos vão por aí até se estabelecer um consenso, ao ponto em que um menino é rapidamente repreendido por sua mãe quando faz cara feia ao mastigar um dos queijos e em seguida cospe-o fora. "Que vergonha!"
Quatro anos mais tarde, as reclamações reprimidas das crianças, por ocasião do Grande Concurso das Vacas (que aqui pode ser interpretado como as Eleições ou a Copa do Mundo sem prejuízo algum de entendimento), conquistarão adeptos cada vez mais numerosos, primeiro mais surpresos, depois mais indignados, antes mais comedidos, depois mais clamorosos, até se tornarem todos fantasticamente eloqüentes. Uma senhora mexe em sua panela enquanto profere tardiamente: "Eu sempre soube que ia dar nisso."
O carrapato, lá no seu way of life, apressa-se em procurar outras vacas, sempre se beneficiando do fato de ser muito pequenino, incorruptível aos olhos do povo.
sexta-feira, junho 30, 2006
Espiral esquizofrênica
rede redemoinho
redemoinho redemoinho
rede rede redemoinho
moinho
rede
redemoinho
moinho
moinho
rede
redemoinho
redemoinho rede
redemoinho rede
rede redemoinho
redemoinho moinho
moinho rede
remoinho rede
moinho de rede
moinho de rei
moinho de rainha
de redemoinho
de rede
moinho
rede mundo moinho
de rei
rede mundo moinho
redemoinho
rainha
mundo de rede
moinho de mim
Equilíbrio em Estratégias Mistas e Cobranças de Pênaltis
Weast Coast

terça-feira, junho 27, 2006
Dois clichês para um romance banal
segunda-feira, junho 26, 2006
Toda espécie de bobagem
sexta-feira, junho 23, 2006
Desculpa para quando se é pego em flagrante
Groucho, meu Marx preferido.
quinta-feira, junho 22, 2006
Cultura Corrupta
segunda-feira, junho 19, 2006
domingo, junho 18, 2006
dias de febre
sem nem querendo fazer coisa alguma
qualquer brisa de vontade é coibida prontamente
com uma dor de garganta de pulso firme
e antes de cair na cama,
buscando o sono - casa de não sentir,
me arrisco enormemente ao reclamar
vá que a garganta saiba ler
- vá saber
terça-feira, junho 13, 2006
O capitalista
Agora, vítima assumidas são os melhores consumidores.
Coca Cola
http://www.economist.com/markets/bigmac/displayStory.cfm?story_id=456039
segunda-feira, junho 12, 2006
na morada do meu amor...
sexta-feira, junho 09, 2006
O teorema de Arrow
1-Universalidade: esta propriedade diz que o voto deve ter um resultado que ordene todas as escolhas possíveis e deve dar um resultado igual para um mesmo "perfil" de votos", isto é, não pode haver aleatoriedade no processo.
2-Unanimidade: se cada indivíduo na sociedade prefere uma certa opção com relação à outra, então a preferência da sociedade deve ser por esta opção.
3-Independência das alternativas irrelevantes: a escolha da sociedade entre 2 alternativas independe da existência de uma terceira alternativa.
O teorema da impossibilidade de Arrow afirma que se a sociedade possui pelo menos 2 membros (para um único membro, a escolha indivídual é igual à escolha social, e não faz sentido falar em agregação de preferências) e precisa tomar uma decisão entre pelo menos 3 alternativas, então um sistema de votação que satisfaça estas condições é necessariamente uma ditadura.
Varig
Segundo o juiz responsável pelo caso Luiz Roberto Ayoub, não será o comprador. A julgar pelo resultado do leilão, os possíveis compradores não acreditam piamente nisto. A questão é que, certamente, alguém vai pagar estas dívidas e ninguém está disposto a entrar no jogo sem que as regras estejam claras. Parece que esta é uma situação comum na justiça brasileira. Juízes crêem ser possível uma solução onde ninguém saia perdendo. O problema é que ela não existe.
Minha aposta de quem pagará a conta? Acho que somos nós.
quinta-feira, junho 08, 2006
quarta-feira, junho 07, 2006
Montanha Mágica
Eu vejo tudo tão sem direção
E quando rio de toda essa graça
Que dizem que é tudo alucinação
O cinza dessas ruas não me agrada não
E toda essa pressa por um tostão
Não tem, não tem, não tem nada não
E toda essa pressa é tudo alucinação
Vou subindo a montanha mágica
Lá eu vou me curar
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=22898
O vício
não quer o tédio que não seja vício
já de início dispensa a verdade
que é, para si, impertintente:
ela não lhe reconhece dignidade,
ele dispensa sua patente
quer saber é da ignorância
quer saber da turbulência
o vício é um populista da maior eloqüência!
vende por preço alto o que nem tem valor
o vício é um horror disfarçado de santidade
o vício não escolhe idade, sexo nem cor
mas não é democracia! não se enganem!
profanem o vício, profanem!
não é certo nem errado
o vício é quadrado e quer te acorrentar
não o verá atravessar seu próprio mundo
ele vai cada vez mais fundo no seu poço vertical
o vício é, na verdade, um boçal disfarçado de importante
é pirata de um navio que deixou sem comandante
o vício avistará terras e proclamará até independência
com o selo oculto que perfaz sua enganadora transparência
segunda-feira, junho 05, 2006
sexta-feira, junho 02, 2006
Superpops
A História virou pop. Não consigo pensar em melhor exemplo do que este fato por mim presenciado ontem: o filme e seus apontamentos (mais especificamente um deles, que já exponho) era discutido no programa SuperPop, da Rede Tv!, apresentado pela cabeça mais pensante deste país, Luciana Gimenez. Meu irmão chamou pra ver, já que eu havia retornado do filme falando em Opus Dei, que - agora exponho - era o assunto em pauta do programinha (Deus ou os astros livraram Leonardo da Vinci dos maldizeres de Gimenez e seus convidados). Aqui, é necessário fazer ainda mais concessões para dizer que foi proveitosa a experiência de assistir. Sobre a apresentadora não direi mais que proporcionou os melhores momentos da noite enquanto manteve-se calada. Uma das convidadas era Tati do BBB, uma boxeadora que por algum distúrbio de personalidade acreditava ser uma estudiosa do assunto. Outra, não fiz questão de pegar o nome, mas tinha uma voz horrível, o que não vem ao caso, como não vinham nem um pouco suas opiniões - e ela era insistente. Tinha um, também anônimo para mim, que ganhou minha simpatia por seu costume de pouco falar.
Para completar a série de convidados irrelevantes - de forma estupenda - havia um padre (e o chamando assim ofendo a todos padres de bom coração e sã consciência - perdão), tirado não sei daonde, que, de duas palavras que falava, em uma se contradizia. Não consigo me furtar de dar o exemplo-mor: depois de ouvir sobre o teor da conversa, que discorria (como falei) sobre as impropriedades da Opus Dei de forma realmente contundente e indignadora (graças aos outros dois convidados-messias, a descrever), o padre quis levantar uma bandeira contra aquele despautério (práticas da Opus Dei), segundo ele a sociedade deveria reunir forças contra aquele desacato. Instantes antes, ele mesmo havia admitido ter feito uso do cilício (autoflagelação às ganha). Questionado sobre este indício de contradição (um pasmo de lucidez, irrepetível, na Luciana), o padre tratou de se explicar dizendo que fazia tal sacrifício porque não tinha o que fazer enquanto separava laranjas na Itália e, além disso, era bom para esquentar (?).
Uma ressalva que não pode deixar de se fazer diz respeito à bizarra narração das matérias que permearam o programa (todas relacionadas à Opus Dei). O pior é que as matérias ainda foram bem feitas, coitados. Digo, entrevistaram as pessoas certas, tentaram ouvir o pessoal da Opus (sem sucesso), foram nos lugares em que deviam ir, buscaram informações e as apresentaram. Só que o texto foi narrado por um desses caras que anunciam comercial de motel (mas quinze vezes mais forçada), numa voz pseudo-sexy (mas tão psedo que não enganaria a mais ingênua das freiras). Essa parte provocou risos estupefatos e depois gargalhadas incrédulas.
O que sobrou? Restaram os dois últimos convidados: Betty Silberstein, mãe de um numerário (praticante da Opus), que recentemente lançou o livro A falsa obra de Deus; e um ex-numerário, que seguiu a doutrina por 10 anos. A mãe luta para resgatar o filho da seita conservadora que o enganou e continua enganando. O ex-numerário conta dos pormenores da dita-cuja. Muito interessante, por vezes espantoso. Mas isso fica pra outro post.
quinta-feira, junho 01, 2006
quarta-feira, maio 31, 2006
Está contido em
A possibilidade de não saber sobrepõe-se a do conhecimento na medida em que, vivenciada, sabe-se única (e é a única coisa que sabe). Ao mesmo tempo, desconhecer é menor, está contido em conhecer. Que coisa contraditária parece essa!
sexta-feira, maio 26, 2006
Prólogo para um livro de receitas
Compõem esse rico ajuntamento o Ricardo e a Zéti (meus pais), o Paulo e Neusa, o Nicola e a Lisa, o Charles e a Marta, o João e a Zezé, por vezes mais alguns compadres ou filhos, todos formando essa reunião de pessoas, não por acaso, há mais de duas décadas preservando a amizade tal qual o vinho é preservado em barril de carvalho, assim adquirindo mais virtude, oxigenado na exata medida de melhor ser desfrutado. E em cada mês bebe-se deste vinho, alternando-se os lares, sempre o mais aconchegante que os anfitriões podem oferecer. O leigo conhecimento acerca dos vinhos não me possibilita outras metáforas certamente existentes, e esse exercício reservo humildemente às próximas páginas que eles mesmos, ingredientes imprescindíveis deste caldo, trataram preencher.
Discorri sobre o tempero que permeia essas celebrações mês após mês. Muito provavelmente porque outra coisa não pudesse dizer sobre a matéria - devo admitir que eu quero ser assim quando eu crescer, todavia, hoje, não vou muito além de um bife bem passado (alguém aceita?). Decerto que os jantares aqui descritos, antes de provocar salivação em massa nos leitores, terão satisfeito os espíritos desses gaúchos de bom garfo e coração. Mas que não se engane o desavisado: tal contentamento é provisório, pois, bem como observou Guimarães Rosa, "satisfeito, o animal dorme". Esses homens e mulheres, que aqui escrevendo suas receitas também compõem suas histórias, correm de tal inércia e, insaciáveis, vão pondo no forno a segunda edição, enquanto você degusta esta.
Bom apetitchê!
quinta-feira, maio 25, 2006
A luz, o mundo e as sombras do mundo
quarta-feira, maio 24, 2006
Notícia trágica e crítica cômica (ou vice-versa)
Nota de um crítico sobre a obra:
Dizem, a vida imita a arte. Eis que surge esse sujeito - não sei de onde e não vem ao caso - e transforma, num só tempo, vida, morte e arte, esse triunvirato tão indissociável que às vezes nos aparece sem os contornos da diferença. Está lá o espetáculo da morte, tão banalizado nas cenas do cotidiano, tão nosso, e ao mesmo tempo ainda assombroso, dando a asfixiante sensação de que secreta em quaisquer dos pontos em putrefação na tela, ou em todos de uma só vez, um enorme buraco negro, fim de toda existência, de toda razão, de toda beleza. Está igualmente lá uma massa de cores aleatórias, todas elas sem nunca terem transparecido tanta vida, jamais haviam transposto o descaso de retinas indiferentes à sua pele mestiça, retinas reticentes em enxergar para além de órgãos, cartilagens, ossos e sangue, agora todos estes expostos, nus, estalados no que antes era somente branco, decompondo-se e se derramando tela abaixo, deixando-nos estupefatos, mais ainda porque a gravidade lhes impõe a mesma lei a nós imposta, como se negasse a ausência de suas almas ou, mais assustador, a presença das nossas. Por fim, lá está também, ou sendo uma estranha coexistência de morte e vida (ou coinexistência), a arte, em sua sorte invariável de narrar o inenarrável, de cumprir a impossível tarefa de, tendo esgotado as descrições informativas, fazer saber o homem que ele é o desaparecimento de todas as dualidades.
terça-feira, maio 23, 2006
Por que estudar economia? Joey Cheek tem a resposta!
Retirado do Freakonomics blog
The real reason I went into economics
They teach you a lot of things when you study economics: about marginal cost, incentives, dynamic optimization, etc.
But up until now, the real reason for why people study economics had been a closely held secret known only to economists—kept carefully hidden away from the hoi polloi.
Well, it turns out Joey Cheek, of all people, is the one who blew the secret. You may remember Joey Cheek as a gold medal speed skater from the Winter Olympics. It turns out he is also quite smart. He was admitted to Yale, Princeton, and Stanford. (Harvard, however, turned him down.)
Parade magazine quotes Cheek as saying that he plans to study economics. And then he goes on to blow the secret we economists have so carefully guarded for all these years. He plans to study economics because “that’s what gets the chicks.”
(My wife Jeannette adds that I am living proof.)
Com a mão
sexta-feira, maio 19, 2006
quarta-feira, maio 17, 2006
Incentivos importam
Minha hipótese é de que sim. Mas acho que é preciso fazer a suposição de que o próprio namorado tenha um interesse não negativo na manutenção do namoro. Se permitirmos interesse negativo, a utilidade do namorado aumentaria com menos esforço (dado custo zero para encerrar o relacionamento).
Conhecimento maduro
Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'.
terça-feira, maio 16, 2006
Os cavalos selvagens de Saer
[...]
A tropilha avança a todo galope pela planície, dispersa e crescente como se sofresse mudanças descontínuas de tamanho, e o ruído dos cascos resoa e repercute, desdobrando-se sob as patas dos cavalos, e se dissemina pelo ar em que os pássaros fogem em todas as direções.
[...]
Os cavalos, todos escuros, os pêlos de tons quase idênticos, com o mesmo ritmo, a mesma velocidade, na mesma direção, masssa sombria e palpitante, de uma multidão unificada por todos os seus membros e ao mesmo tempo dispersa em cada um deles, aglomeração de carne quente, de músculos e nervos e de sentidos, vão propagando o estrondo pelo campo vazio e saturando-o a tal ponto que até os pensamentos maravilhados de Bianco são cobertos pela proliferação sonora e tornam-se inaudíveis ou incompreensíveis para ele em sua própria mente. Vigorosos, disciplinados e selvagens, parecem a massa arcaica do ser deslocando-se como um vento cósmico, dividida num número indefinido de indivíduos idênticos, tal como uma infinidade de estrelas separadas pelo negrume mas todas constituídas da mesma substância, ou uma fileira de álamos brotados da mesma semente e que, observados de certo ponto do espaço, superpõem-se e se fundem até dar a ilusão de serem um só."
A ocasião, Juan José Saer, páginas 25, 26 e 27.
terça-feira, maio 09, 2006
cenas surreais

O surrealismo aplicado ao cinema, a partir de filmes como L'Âge d'or (Buñuel/Dalí,1930), perde um pouco da sua espontaneidade. Isso porque não se pode fazer um filme totalmente sem critério, na medida em que alguma seqüência de etapas deve ser seguida. Qualquer linguagem mais poética ou simbólica aparece de forma mais tênue na película, por falta desta automaticidade. Em contrapartida, a linguagem cinematográfica parace facilitar a compreensão, ou melhor, instiga a vontade de compreender, porque coloca o pensamento em movimento, por mais non sense que sejam as cenas, existe aí uma lógica análoga à lógica do sonho. Há um choque, uma provocação que corre paralelamente e durante toda a projeção das imagens e som (havendo som). E é nessa arte que conseguimos com maior rapidez as respostas a esses questionamentos, sejam elas conclusões genuínas ou simplesmente frutos de ilusões do espectador. O cinema cria, a priori, um contexto que em outras artes existe de forma menos perceptível. Ainda que não se entendam, as questões, de uma certa forma, se encerram.
Por isso é que é mais fácil, por exemplo, rir até chorar numa sala de cinema.
Ouvindo A certain romance - Artic Monkeys.
sábado, maio 06, 2006
sexta-feira, maio 05, 2006
Rodrigo Cambará
Que hei de concedê-lo em homenagem?
terça-feira, maio 02, 2006
Cronodependência
Talvez seja a morte, avessa a protocolos, a maneira mais eficaz de livrar o ser humano de seu maior apego.
quinta-feira, abril 27, 2006
Frege publicou em 1892
"A igualdade¹ desafia a reflexão dando origem a questões que não são muito fáceis de responder. É ela uma relação entre objetos ou entre nomes ou sinais de objetos? Assumi a última alternativa. As razões que parecem apoiar essa concepção são as seguintes: a=a e a=b são, evidentemente, sentenças de valor cognitivo diferentes; a=a sustenta-se a priori e, segundo Kant, deve ser denominada de analítica, enquanto que sentenças da forma a=b contêm, freqüentemente, extensões muito valiosas de nosso conhecimento, e nem sempre podem ser estabelecidas a priori. A descoberta de que o sol nascente não é novo cada manhã, mas é sempre o mesmo, foi uma das descobertas astronômicas mais ricas em conseqüências. Mesmo atualmente, o reconhecimento de um pequeno planeta ou de um cometa nem sempre é evidente por si. Assim, se quiséssemos considerar a igualdade como uma relação entre aquilo a que os nomes "a" e "b" se referem, pareceria que a=b não poderia diferir de a=a, desde que a=b seja verdadeira. Deste modo, expressaríamos a relação de uma coisa consigo mesma, relação que toda coisa tem consigo mesma, mas que nunca se dá entre coisas distintas. Por outro lado, parece que por a=b quer-se dizer que os sinais ou os nomes "a" e "b" referem-se à mesma coisa, e neste caso, a discussão versaria sobre estes sinais. [...]"
[¹ Uso esta palavra no sentido de identidade e entendo "a=b" no sentido de "a é o mesmo que b" ou "a e b coicidem".]
quarta-feira, abril 26, 2006
Provando que 1=2
Problema de Agência

La música - Yo la tengo
segunda-feira, abril 24, 2006
À RBS
Fiz cursinho Pré-Vestibular de meio semestre, concomitantemente ao terceiro ano, e essa foi uma experiência valorosa pois me abriu ao conhecimento de forma definitiva. Fiz uma viagem memorável, a ser repetida, por Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai - Santiago, particularmente, me abriu horizontes ao mesmo tempo em que me inseriu no mundo. Fiz o curso de desinibição e oratória que abriu o meu horizonte particular, revelando potencialidades antes abaixo da superfície. Fiz parte de um time vencedor durante os anos 90, no meu colégio, onde aprendi o que é ser parte de um grupo, o que é recuperar-se e o que é ser líder e incentivador. Fiz inúmeras cadeiras na faculdade que me colocaram a par do poder da comunicação, bem como do seu potencial riquíssimo a ser explorado. Li O tempo e o vento, Quando Nietzsche chorou, A insustentável leveza do ser, entre outros, que me abriram para tudo aquilo que eu considero estar aberto. Fiz um curta-metragem na faculdade e um poema meu foi musicado por um amigo. Tenho e divido blogs, como pode ter sido adivinhado.
quinta-feira, abril 20, 2006
Joan Miró [1893-1983]

Contemporâneo do fauvismo e do cubismo, Miró criou sua própria linguagem artística e procurou retratar a natureza como o faria o homem primitivo ou uma criança, que tivesse, no entanto, a inteligência de um homem maduro do Século 20.
Joan Miró nasceu em Barcelona, na Espanha, em 20 de abril de 1893. Apesar da insistência do pai em vê-lo graduado, não completou os estudos. Freqüentou uma escola comercial e trabalhou num escritório por dois anos até sofrer um esgotamento nervoso. Em 1912, seus pais finalmente consentiram que ingressasse numa escola de arte em Barcelona. Estudou com Francisco Galí, que o apresentou às escolas de arte moderna de Paris, transmitiu-lhe sua paixão pelos afrescos de influência bizantina das igrejas da Catalunha e o introduziu à fantástica arquitetura de Antonio Gaudí.
Miró trazia intuitivamente a visão despojada de preconceitos que os artistas das escolas fauvista e cubista buscavam, mediante a destruição dos valores tradicionais. Em sua pintura e desenhos, tentou criar meios de expressão metafórica, ou seja, descobrir signos que representassem conceitos da natureza num sentido poético e transcendental. Nesse aspecto, tinha muito em comum com dadaístas e surrealistas.
De 1915 a 1919, Miró trabalhou em Montroig, próximo a Barcelona, e em Maiorca, onde pintou paisagens, retratos e nus. Depois, viveu em Montroig e Paris alternadamente. De 1925 a 1928, influenciado pelo dadaísmo, pelo surrealismo e principalmente por Paul Klee, pintou cenas oníricas e paisagens imaginárias. Após uma viagem aos Países Baixos, onde estudou a pintura dos realistas do século XVII, os elementos figurativos ressurgiram em suas obras.
Na década de 1930, seus horizontes artísticos se ampliaram. Fez cenários para balés, e seus quadros passaram a ser expostos regularmente em galerias francesas e americanas. As tapeçarias que realizou em 1934 despertaram seu interesse pela arte monumental e mural. Estava em Paris no fim da década, quando eclodiu a guerra civil espanhola, cujos horrores influenciaram sua produção artística desse período.
No início da segunda guerra mundial voltou à Espanha e pintou a célebre "Constelações", que simboliza a evocação de todo o poder criativo dos elementos e do cosmos para enfrentar as forças anônimas da corrupção política e social causadora da miséria e da guerra.
A partir de 1948, Miró mais uma vez dividiu seu tempo entre a Espanha e Paris. Nesse ano iniciou uma série de trabalhos de intenso conteúdo poético, cujos temas são variações sobre a mulher, o pássaro e a estrela. Algumas obras revelam grande espontaneidade, enquanto em outras se percebe a técnica altamente elaborada, e esse contraste também aparece em suas esculturas. Miró tornou-se mundialmente famoso e expôs seus trabalhos, inclusive ilustrações feitas para livros, em vários países.
Em 1954, ganhou o prêmio de gravura da Bienal de Veneza e, quatro anos mais tarde, o mural que realizou para o edifício da UNESCO em Paris ganhou o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1963, o Museu Nacional de Arte Moderna de Paris realizou uma exposição de toda a sua obra. Joan Miró morreu em Palma de Maiorca, Espanha, em 25 de dezembro de 1983.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
quarta-feira, abril 19, 2006
Das inconformidades
Nesse sentido, por exemplo, poderia se pensar com mais imparcialidade sobre o tão difamado capital.
segunda-feira, abril 17, 2006
A Verdade por si mesma não tem nenhum valor
Há uma coisa mais dolorosa do que nunca poder ouvir a verdade - é nunca poder exprimi-la, mesmo com a melhor vontade do mundo. Porque o que quer que digamos, o outro não escuta nunca a verdade que lhe queremos transmitir. Aquilo que sai dos nossos lábios e o que se passa na alma do outro, são sempre duas coisas diferentes. No instante seguinte deixa de ser semelhante - isso depende de tantas coisas que nada tinham a ver com a tua verdade e a tua vontade de verdade - isso depende do que o outro queria ouvir, da situação em relação a ti, etc...
E a verdade por si mesma não tem nenhum valor, é como uma moeda num país onde não é corrente.
Arthur Schnitzler, in 'Relações e Solidão'
quinta-feira, abril 13, 2006
A armadilha da metáfora
quarta-feira, abril 12, 2006
?
terça-feira, abril 11, 2006
Markets are everywhere
"Nas folgas vagas, eu ia com os companheiros, obra de légua dali, no Leva, aonde estavam arranchadas as mulheres, mais de cinqüenta. Elas vinham vindo, tantas, que, quase todo dia, mais tinham que baratear. Não faltava esse bom divertir. Zé Bebelo aprovava: -"Onde é que já se viu homem valer, se não tem à mão estadas raparigas? Ond' é?" Mesmo cachaça ele fornecia, com regra. -"Melhor, se não eles por si providenciam, dão logo em abusos, patuléias..."
segunda-feira, abril 10, 2006
A língua subtraída
sexta-feira, abril 07, 2006
Do impensável dispensável
Tais teorizações tentam conceber outra forma de existência, enquanto a nossa, experimentada, já nos incita infindáveis desafios. Aponta para um horizonte metafísico a metafísica. Daí a irrealidade objetiva de um pensamento desta natureza - sem natureza.
quinta-feira, abril 06, 2006
Luz
Disse Guimarães Rosa: "O animal satisfeito dorme."
Pensamentos suicidas são covardes mentirosos que ignoram a eternidade que há em pensar, que há em viver. O pensamento virtuoso não quer ser dogma, não quer ser regra, pois conhece e aceita a substância criadora do desconhecer.
Disse Sócrates, primazia do saber: "Só sei que nada sei."
E se fez a luz.
quarta-feira, abril 05, 2006
Música do encontro (24 de março de 2006)
Letra: Chico do Canto
Música: Francis Milk
O encontro dos artistas
Quem quiser contar,
conte comigo,
conte até mais
não sou inimigo
Faço parte desta engrenagem
Quero ser a graxa pra fazer andar
Vamos assumir as posições
Livrando abertamente as gerações
que fazem parte desta engrenagem
Herdando tudo aqui que há de bom
Eu canto como quem quer reunir.
Tu pintas como quem não quer partir
Poeta! Pinte o verbo da emoção
Vivemos pra você poder sentir
Vamos assumir as posições
Livrando abertamente as gerações
que fazem parte desta engrenagem
Herdando tudo aqui que há de bom
Eu canto como quem
quer reunir.
Tu pintas como quem não quer partir
Poeta! Pinte o verbo da emoção
Vivemos pra você poder sentir
terça-feira, abril 04, 2006
Primeiro meio-discurso sobre a predisposição das coisas
Tal colocação, trivial a princípio, revela duas dimensões do processo incessante que é viver (ou, preferindo, ser), cuja existência, parece seguro dizer, é inerente ao movimento. Tomando-o (o processo) como teia de possibilidades com um sem-número de ramificações, cada qual representa uma opção possível logo respondida por recusa ou escolha, e, escolhida, instantaneamente ramificada, donde a mesma fórmula passa a se aplicar inesgotavelmente. O par de dimensões que conjuga essa finíssima e quase impensável engrenagem é formado por aquilo que aqui chamo (i)predisposição e pela (ii)causa ou elemento causador. Sem a presença de ambos não há nada que se dê, pois assim como uma inclinação a determinado resultado só se evidencia e se torna fato na medida em que deixa de existir como inclinação por alguma causa, nenhum agente causador concebe, por si próprio, lugar onde se manifestar, sendo que, para isso, faz-se necessária uma estrutura prévia que lhe permita praticar sua ação. Aqui parece importante relembrar que quando se fala em existir, tal conceito está, aqui, atrelado à percepção humana, isto é, falo do que pode ser percebido, não necessariamente do que é.
Pensando nessa estrutura anterior como espaço vazio a ser preenchido pela possibilidade concretizada – o acontecimento propriamente dito – e na causa como elemento que introduzirá, como se por um empurrão, os ingredientes desta receita, tem-se uma boa idéia do modo como se dá essa interação, entendendo-se os ingredientes como partes constituintes da causa, ou seja, causadores. Os efeitos, conseqüentes desta soma, são aqueles resultados alçados à experiência real, e povoam nosso mundo, entrechocando-se, percorrendo os mais diversos caminhos e direções que esta quântica origina em distantíssimos horizontes.
segunda-feira, abril 03, 2006
A notar
anotar tudo...
e a notar:
ar de artista
em mim.
"eu lhe ofereço
essas coisas que enumero
quando fantasio
é quando sou mais sincero"
(Holofotes, João Bosco/Antônio Cícero/Waly Salomão)
domingo, abril 02, 2006
Teoria dos Jogos
Teoria dos jogos é um ramo da matemática aplicada que estuda situações estratégicas onde jogadores escolhem diferentes ações em uma tentativa de maximizar seus resultados. Primeiro desenvolvida como uma ferramenta para entendimento do comportamento econômico, teoria dos jogos agora é usada em diversos campos acadêmicos, indo da biologia, psicologia à filosofia. Desde os anos 1970, a teoria dos jogos tem sido aplicada ao comportamento animal, incluindo o desenvolvimento de espécies pela seleção natural. Devido a jogos interessantes como o dilema do prisioneiro, no qual o auto-interesse racional fere a todos, a teoria dos jogos tem sido usada nas ciências políticas, ética e filosofia. FInalmente, a teoria dos jogos recentemente chamou a atenção de cientistas da computação por causa de seu uso na inteligência artificial e cibernética.
Tradução livre da Wikipedia.
sexta-feira, março 31, 2006
nuar
em interjeições comedidas
canta sopros de vento,
descobrimentos,
por forças telepáticas
canta a imagem invertida,
o sublime invisível
é silencioso o canto dos olhos
quarta-feira, março 29, 2006
A geometria do adeus
e deixam pra trás
traços de que foram
antes que chegasse a distância.
eles se vão
e deixam desatados
laços do que foram,
do que eram 'inda agora
- mas agora é só silêncio.
aponta longe a pirâmide,
sofre a saudade embalsamada
nas profundezas, nos sarcófagos,
deste lago, deste lago de quem fica.
[a partir de leituras sobre Tales de Mileto]
terça-feira, março 21, 2006
A Firma
A firma existe porque dá lucro. Porque tem gente que gosta do que a firma faz. Mas a firma também entrou nessa de responsabilidade social. Além do lucro de seus acionistas, a firma também preocupa-se com o bem estar da comunidade. A firma dá segurança para a comunidade, já que as autoridades competentes não são nada disto. Segurança e botijão de gás. Sem falar nos empregos mais bem remunerados que os moradores podem arranjar. E tem plano de carreira. Seu pessoal costuma entrar cedo e trabalhar lá até o fim dos seus dias.
Mas, como qualquer outra empresa do país, ela tem problemas com a burocracia. Não consegue autorizações e tem que fazer as coisas com jeitinho. É isto que estraga a firma. Sem propina, ela não conseguiria funcionar. Nem ela nem a polícia. É a firma que mantém a polícia.
segunda-feira, março 20, 2006
diz a janela escancarada
"insignificante"
revezam-se com rapidez as nuvens,
os tons entre escuro cinza
e azul petróleo, segundo um colega
as sombras, em menor velocidade,
escalam os altíssimos prédios,
imóveis projetanto-se em seus semelhantes
o sol vai descendo, como em toda tarde
(agora se vê melhor)
antes houve uma chuva que só no rio se percebeu,
ali, no cais do porto, às aguas se agitaram,
as mesmas águas de março
que a essa hora parecem espelho intocável
há uma bóia de forma triangular,
o laranja se enxerga de longe mesmo
mesmo quieto assim,
os barcos devem conhecê-la
houve um saco plástico
desses de supermercado
vindo dum desses picos
acompanhei-o já em sua dança decadente
foi para entre dois carros
em frente ao mercado público
muitos ônibus dobram esquinas
e sobem essa rua de mão única
o fluxo é constante e agitado
lá no fundo, um viaduto
a cidade termina pra quem vai à esquerda
e à direita começa tudo de novo
são muitas janelas
e, sabe-se, muita gente por detrás,
mas não se as pressente,
parecem mais, esses gigantes cinzas,
o centro onde se mastiga e morre o tempo
abre-se agora um espaço
e se mostra um azul original
bem como o branco de alguma nuvem
lá atrás, uma fileira delas, as mais escuras,
traçam linhas de chuva que se vão em diagonal
e debaixo, da praça frente à prefeitura,
vem um som tradicional
que se cumprem nos dias próximos
os anos dessa capital
e, entre muitos, os meus
quarta-feira, março 15, 2006
Por sua vez, Tadeu não esperava por aquilo. Com o tempo, já tinha aprendido a manha de Fulano. Este nunca reclamava das meninas que lhe mandava. Sua voz no telefone parecia pedir desculpas. Freqüentemente, mandava as meninas cobrar além do acordado. E Fulano pagava. Perguntava se o preço não era outro, mas sempre aceitava o preço dado. Pagava e ligava de novo. Quando Tadeu pediu para Fulano guardar um pacote em sua casa, Fulano tentou desconversar, disse que não sabia, mas o primeiro conversou-lhe o suficiente para que aceita-se. Sabia como convencer um bunda mole.
Mas um dia, Fulano chamou pela Vanessa. Adorava a Vanessa e só não pedia sempre por ela por vergonha de pagar sempre pela mesma mulher. Suas pernas estavam maiores do que nunca! Os cabelos pretos bons de puxar. Mas não estava muito falante. Parecia distante, mas fulano nunca foi de fazer perguntas.
Quando Vanessa já estava fumando seu cigarro, uma batida na porta. Fulano ficou decididamente nervoso, já que não costumava ter ninguém à porta àquela hora. Não costumava ter ninguém que não esperasse batendo na porta. Não tinha amizades e nem visitas. Era sempre o entregador, alguma encomenda, ou uma menina.
Era Tadeu, visivelmente alterado. Cheirava a álcool, mas parecia lúcido e transtornado. Seus olhos não paravam em ponto algum, prestava atenção em tudo ao mesmo tempo. Nem deu bola para Fulano e foi direto em direção à Vanessa. Chamou-a de puta e deu-lhe de mão aberta. Ela caiu sobre os joelhos, chorando, com a blusa meio aberta, sem sua saia. Fulano disse para Tadeu acalmar-se, para sentar, e Tadeu soltou os cachorros em Fulano. Mauriçola de merda. Fica na tua que não sobra prá ti. A moça levantou-se e fez menção em ir para o quarto quando levou um soco. Ela não emitiu um som sequer. Mas Fulano, que estava apavorado, acuado no canto da sala, foi para cima de Tadeu e arrebentou-lhe a cara com um soco, deixando o malandro, que era acostumado com as brigas da rua, estirado no chão.
Com a Vanessa ninguém mexia.
quinta-feira, março 09, 2006
nem atiçar suas saudades
mas acontece que não posso me furtar:
Calmas ondas de mar...
soam promessas de vida
na bonança que vem
no remanso do carnaval
[verão, tem fim não, tem começo - de março]
Cataventos de Osório
fabricam novos ventos
e novos eventos apontam no horizonte
vai!, avante!, escolhe a peça e move, adiante!
Parabéns, um passo à frente
e mais outro, que arrisque;
um que te sustente
e um outro que te busque
(Dança uma folha no céu)
Brinca com seu par
e joga com tempestades,
economiza em velocidade
e aprecia o tempo, o vôo, a liberdade - troféu
{meu caro amigo, chico buarque; águas de março, tom jobim}
segunda-feira, março 06, 2006
sexta-feira, março 03, 2006
ZELIG
ó, não saberei dizer
foi você quem prometeu
- e quem disse não temer?
ó, não saberei recontar
dos riachos e pedras por que passei
porque não sabem a água, o limo ser outracoisa
mas eu sei bem, eu me identifiquei
com um camaleão,
sei não...
não há rimas para zelig
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Em si (fora de contexto)
Primeiro a força. A ficha cai. Depois, a fraqueza.
No impulso último se despede de sua propriedade. Parte-se em migalhas que pouco recordam o segundo anterior. A explosão fôra grande. Afinal, tudo poderia ser menor. Parca definição de silhuetas. Talvez estivesse em outra galáxia, nenhuma diferença faria. Reconheceu ao seu lado um velho abajur de lâmpada cega. Mais à frente, notou uma esfera de tristelento andar, que percorreu uma trajetória óbvia na mesa de pinball, até cair em algum vão e desaparecer. Sentiu um vazio. Não era fome, não era frio. Era como se ainda estivesse caindo, mas o mundo lhe parecia parado; era como se estivesse girando, mas o mundo lhe parecia quadrado. Tentou visualizar um ponto fixo específico, mas tudo se apresentou imóvel à mesma maneira. Fechou os olhos demoradamente, quem sabe estivesse sim num movimentado sono. Sentiu uma certa resistência ao tentar abri-los novamente, e quase sorriu pensando ser a luz do dia a lutar contra sua pupila dormente. Mas não. Olhos abertos, o que identificou foram os mesmos pesados traços de rara retidão. Aquilo o estava sufocando e era cada vez mais concreto e estreito. Até que um som veio lhe trazer outro suspiro, quando nem sentia soar as batidas de seu coração. Era uma marcha precisa, marcada em intervalos rigidamente iguais. Um relógio. O tempo, enfim, voltava a dar sinais. Ganhou calma e sentou-se sobre o que parecia ser uma pedra. Quem o visse diria se tratar de uma estátua, homem em reflexão, cotovelo sobre a perna, mão sob o queixo; quiçá até um filósofo. Em verdade, o único pensamento que tinha é que era estático: tudo era, afinal, uma questão de tempo. Desapareceu.
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Dá-se por si e está caminhando para algum lugar, vindo de outro mais vago ainda. Sente-se num desenho animado, colinas se perdendo à vista, um caminho sublinhando os bosques, árvores de primavera e algo de faz-de-conta no ar. Enquanto segue em frente, corre os olhos ao redor, à procura de um outro personagem. Nenhum movimento e muito silêncio, em pouco tempo, já não se apercebe de nada. Vai assim, distraído, quando surge, por detrás de um arbusto, um menino de cabelos encaracolados – toma um susto. Diz-lhe o menino, com voz suave, que não tenha medo, que é só um menino. Pede desculpas, explica que andava desatento, pensando. É claro que estava pensando – respondeu o garoto – pude ver bem acima de ti. Deu-se conta, o menino não falava, melhor, não se ouvia sua voz, dava-se o diálogo através de balõezinhos legendados, como numa história em quadrinhos. Vendo a cara perplexa e de estranheza daquele homem (e lendo seus pensamentos confusos bem acima de sua cabeça), o garoto riu, discretamente, e se pôs a explicar: se há, por aqui ou por detrás destas intermináveis colinas, algo de real... são os pensamentos. Nada de concreto de fato existe, a não ser que se diga: existe só para si. Em comum, tu e eu, temos a vida, mas poucos têm satisfação em dividi-la. Por fim, cada um tem o seu mundo pensado_ dirão, a solidão. Iguais na essência, mas igualmente perdidos por falsos desejos. Constroem personagens para atuar de forma diversa nesse ou naquele contexto, porque, parece-lhes, é impossível representar o mesmo papel em quadros tão desencaixados. Assim vão sendo contextualizados automaticamente, enquanto suas verdadeiras vidas estão em cantos escuros de um longínquo primeiro capítulo. Sinta a artificialidade no ar...
Com essas reticiências, desfez-se o menino e a cena toda em que se encontrava. Uma profusão de pensamentos seus, feitos fumaça, subiu os céus, em busca de outros ares.
domingo, fevereiro 19, 2006
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Caminhos (pela metade)
Pior foi quando não podia mais terminar o que, consciente, havia deixado pela metade. E era muita meia coisa.
Era tanto vento que o castelo não resistira sequer à fração de tempo em que o menino solicitou ao pai que olhasse seu pequeno feito. “Pai, olha, meu caste...”, e o vento decapitou duas das três torres. O pai, que lutava nervosamente contra o mesmo vento na tentativa de ler o jornal, desviou meio segundo os olhos para o filho e sua assimétrica construção, moveu os lábios traçando uma boca reprovativa e balançou a cabeça negativamente. A mãe já tinha ido pra casa_ queria tomar banho de sol, não de areia. Mas pouco importava, ela já vira seus castelos muitas vezes, foi quem o ensinara a construí-los. O menino queria apresentar sua arte ao pai, pois raro era o momento em que podia mostrar como se tornava esperto à medida que crescia. Certamente não sabia tanto quanto o pai, que era bem maior que ele, mas disseram-lhe que um dia chegaria lá. Ultimamente vinha fazendo muitas descobertas. Uma dúzia eram doze ovos e meia dúzia eram só seis. A lua era feita de queijo e não era bom olhar muito tempo pro sol. As formigas pouco resistiam à concentração dos raios solares na lupa de um amiguinho, mas era feio fazer isso com os pobres insetos que, afinal, também tinham uma casa. E o mais incrível: coelhos não colocavam ovos, nem meia dúzia. A questão do Coelhinho da Páscoa ficou confusa, mas a tia da escola disse que ele era um coelho especial que punha ovos especiais e, quando perguntou se ele conhecia algum outro bicho que pusesse ovos de chocolate, o menino só pôde concordar, sabia que a tia sabia bem mais que ele, assim eram os adultos. Sabia também, pelo tio, que a água fortalecia a areia, embora tivesse sido um tanto difícil de entender isso já que a água justamente parecia encolher seus castelinhos. Aprendeu que teria que usar mais areia, mas que a água era sim essencial se quisesse erguer uma fortaleza segura. Foi buscar mais água com seu baldinho. Antes avisou ao pai, que não lhe deu atenção_ parecia preocupado, a testa franzida sobre os óculos escuros. O mar estava revoltoso. As ondas, reparou o menino, tinham aumentado de número e iam e voltavam em maior velocidade. Não teve medo, sua mãe lhe ensinara que, se respeitasse o mar, ele não o faria mal algum. Respeitá-lo significava não passar da beirinha.
Caminhou em direção ao oceano pois tinha um castelo a construir.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Mercados resolvem
(Folha Online, 04/01/06 - http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u74940.shtml)
Muita gente acha que o estado deve agir onde mercados falham. Aí está o mercado agindo onde governos falham.
Antes que alguém reclame da atitude do fazendeiro, lembre-se que a alternativa dos motoristas, caso ele não tivesse tomado esta atitude, seria não seguir viagem.
Isso não torna a vida do povo de lá mais fácil, como tu bem sabes. Ganhe-se proporcionalmente menos, bem como ter emprego é difícil tarefa. Não bastasse isso, o maior problema parece ser a estagnação no tempo, o continuísmo de práticas políticas conservadoras, ecos de uma longa ditadura, algo que parece freá-los, tirando-lhes a voz que permitisse acompanhar essa onda latina de "esquerda", "populista" ou "popular", o tempo dirá melhor que eu. Como disse Veríssimo em sua coluna na Zero Hora de hoje, a hipocrisia, que passou a ser intrínseca à política, tem suas fases agudas e crônicas. No Paraguay é como se a aguda tivesse virado quase usual, e talvez seja difícil de se ver através dela.
Voltando ao meu período de 15 dias por lá. Tratei de não gastar muito (e consegui), não trouxe nenhum eletrônico de e a única presenteada será minha mãe que completará anos na quarta-feira. E de recuerdo, claro, trouxe para mim uma camisa da seleção paraguaia que custa três vezes menos lá, e dois quilos do meu dulce de leche favorito.
De modo que é extremamente lucrativo fazer uma viagenzinha de compras para nosso querido país vizinho. Mas, no meu caso, o lucro foi me buscar na rodoviária.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
O trecho acima dá muito pano prá manga. Em primeiro lugar, não são viagens custeadas pelos legislativos, mas viagens custeadas pelos cofres públicos. Mais, são viagens custeadas por impostos. Melhor ainda, são viagens custeadas pelos salários e demais rendimentos das pessoas que moram nestes municípios e também do resto do país, afinal, existem repasses dos estados e do governo federal para os municípios.
Outro ponto interessante é o papel da imprensa livre como instituição fiscalizadora da sociedade. Ainda que o reporter não tenha motivos nobres como lutar pela verdade (talvez ele só queira ganhar prêmios ou vender jornal, ou talvez seja um idealista mesmo), o resultado é o mesmo, e é isto o que importa. Existe quem ache que a imprensa deve responder a alguém. Mas, será que as preferências de um grupo são as mesmas de toda a sociedade (ou, vá lá, da maioria da população)? Talvez o grupo no poder em determinado momento fosse composto dos amigos dos vereadores turistas e, em agrado a seus compadres, os controladores da imprensa, nomeados pelos donos do poder, acabassem com os jornais, revistas, canais de rádio e TV que pudessem apresentar pudores cívicos e denúnciar a mamata. Ou, inversamente, talvez os inimigos dos vereadores turistas estivessem no poder e, por isto, estes nem teriam sido eleitos. Mas, quem sabe se os vereadores amigos dos inimigos dos vereadores turistas não seriam piores ainda? O que importa é que, sem uma imprensa livre, ficamos à mercê do grupo político no poder. E, sem a imprensa livre, o grupo político no poder pode utilizar sua influência para perpetuar-se.
Mais uma questão. Com as leis que temos, seria de se estranhar se nossos legisladores NÃO tomassem este tipo de atitude. Primeiro, que não é em qualquer emprego que se consegue receber alguns salários para ir para a praia passear. Se eu não espero ser pego (e eles pareciam ter certeza da impunidade) por que não fazer?! Segundo, com esta possibilidade aberta, quem irá se esforçar mais para ser eleito? Alguém honesto que pretende trabalhar pelo bem da população ou alguém que quer férias muito bem pagas? Garanto que o que espera usufruir das benesses do cargo despenderá mais recursos. Até porque, uma vez eleito, o desonesto tem uma fonte a mais de recursos de campanha.
É brabo mas é queijo.









