a ausência da falta no belo está implícita
tu não a notas
porque não costumamos notar ausências
mas ela está ali
o belo não aponta direção
(isso é coisa de link)
está completo em si
tu topas com o belo
e nunca o pega com reminiscências de um outro dia
se tu procuras uma nostalgia
encontras a mais refinada das homenagens
o belo sintetiza seus ídolos superando-os
e te parece além
e a memória que lhe solicitas
como prova de existência
documenta em certidões vivazes
bem-vindas as rugas, os desvios e as voltas
te pegas admirando o mais simples
equivalências que em ti escondes
chegas a pensar
que ao belo só faltava teu olhar
mas
pergunte ao belo
e vê se te respondes
se achasse alguma coisa
o belo acharia melhor
que seguisses te olhando no espelho
ah, desperdiçar assim o belo
como um canibal...
Mostrando postagens com marcador filosofia vomitada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofia vomitada. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, novembro 23, 2007
segunda-feira, junho 11, 2007
Através
A vida não é a liberdade, mas o que se faz com ela.
O relógio vai empilhando números, funcionando taliqual uma esteira de fábrica. Entram segundos, saem horas, em questão de minutos. O tempo não deixa resíduos de si. Talvez porque nem exista o que restar. Não é apreensível - mente o relógio. O homem não penetra no tempo, doutro modo não haveria liberdade alguma. É certo que algumas restrições existem, mas não se dão no tempo; a qualidade da liberdade não se dá, então, pelo tempo, pois não há liberdade onde não possa haver impedimento.
Isto pensado idealmente. Pois não só os relógios estão por aí aos bilhares com seus tiquetaques incessantes, como o mundo gira em períodos demarcáveis, e a vida - humana - acontece em sessenta anos, mais ou menos. O tempo em si não foi inventado pelo homem, esteve aí a pré-história para não nos deixar mentir. Mas a liberdade permitiu inclusive que se compreendesse o tempo sob diversas perspectivas, e a isto se seguem valores e comportamentos vários. O homem racionalizou o tempo, deu-lhe um sentido em sua vida. Talvez por achá-lo razoavelmente incompreensível no absoluto, tratou de reparti-lo. Que faria alguém com a eternidade?
Tomando uma, talvez outra, de suas invenções: o dinheiro. Que faria um homem com uma nota de cem trilhões de dólares? Com quanta liberdade estamos dispostos a lidar? Quem está disposto a aceitá-la?
Nascemos com a memória, e não tivemos de ensiná-la a apreender. O que podemos falar de nossa vida, passa por sua apreensão. E por nossa linguagem. Mas fiquemos com a memória, por enquanto. Ela não distribui o que apreendeu da vida em tópicos, porque não atribui um mesmo valor a todas experiências. Quem sabe aquilo que fez incontáveis vezes seja o mais esquecido, quem sabe por isso mesmo. A quantidade não é primordial para a memória. Se ainda não podemos dizer que o que conta na vida não é quantificável, talvez possamos dizer que quem conta não está preocupado com isso. Tampouco este contador de histórias - ou esta contadora, já que aqui se fala da memória - tem a marcação do tempo na ponta da língua, ou toma-lhe como indissociável dos fatos. Não, isso não lhe parece tão importante. Datas precisas tanto fazem, horas se atropelam, minutos se resumem. O que fica na memória - a vida que não perece, ao menos enquanto sãos vivemos - atravessa os anos, atravessa os lugares, e se pensarmos profundamente, atravessam mesmo as pessoas, até alcançar um ponto fixo de sentimento, que nos acompanha não por outro motivo senão porque também somos aquele ponto.
Se soou óbvio dizer que o que fica é o que atravessa, ou seja, continua, é porque a linguagem tem por natureza a simplicidade, assim como a natureza tem esta por linguagem. Flocos de neve descem a encosta do morro pela gravidade. Unem-se e continuam descendo. Crescem porque vão encontrando mais flocos pelo caminho. Já deixaram de ser o que eram. Mas não deixaram de ser. E sempre terão sido. E assim sempre serão.
O relógio vai empilhando números, funcionando taliqual uma esteira de fábrica. Entram segundos, saem horas, em questão de minutos. O tempo não deixa resíduos de si. Talvez porque nem exista o que restar. Não é apreensível - mente o relógio. O homem não penetra no tempo, doutro modo não haveria liberdade alguma. É certo que algumas restrições existem, mas não se dão no tempo; a qualidade da liberdade não se dá, então, pelo tempo, pois não há liberdade onde não possa haver impedimento.
Isto pensado idealmente. Pois não só os relógios estão por aí aos bilhares com seus tiquetaques incessantes, como o mundo gira em períodos demarcáveis, e a vida - humana - acontece em sessenta anos, mais ou menos. O tempo em si não foi inventado pelo homem, esteve aí a pré-história para não nos deixar mentir. Mas a liberdade permitiu inclusive que se compreendesse o tempo sob diversas perspectivas, e a isto se seguem valores e comportamentos vários. O homem racionalizou o tempo, deu-lhe um sentido em sua vida. Talvez por achá-lo razoavelmente incompreensível no absoluto, tratou de reparti-lo. Que faria alguém com a eternidade?
Tomando uma, talvez outra, de suas invenções: o dinheiro. Que faria um homem com uma nota de cem trilhões de dólares? Com quanta liberdade estamos dispostos a lidar? Quem está disposto a aceitá-la?
Nascemos com a memória, e não tivemos de ensiná-la a apreender. O que podemos falar de nossa vida, passa por sua apreensão. E por nossa linguagem. Mas fiquemos com a memória, por enquanto. Ela não distribui o que apreendeu da vida em tópicos, porque não atribui um mesmo valor a todas experiências. Quem sabe aquilo que fez incontáveis vezes seja o mais esquecido, quem sabe por isso mesmo. A quantidade não é primordial para a memória. Se ainda não podemos dizer que o que conta na vida não é quantificável, talvez possamos dizer que quem conta não está preocupado com isso. Tampouco este contador de histórias - ou esta contadora, já que aqui se fala da memória - tem a marcação do tempo na ponta da língua, ou toma-lhe como indissociável dos fatos. Não, isso não lhe parece tão importante. Datas precisas tanto fazem, horas se atropelam, minutos se resumem. O que fica na memória - a vida que não perece, ao menos enquanto sãos vivemos - atravessa os anos, atravessa os lugares, e se pensarmos profundamente, atravessam mesmo as pessoas, até alcançar um ponto fixo de sentimento, que nos acompanha não por outro motivo senão porque também somos aquele ponto.
Se soou óbvio dizer que o que fica é o que atravessa, ou seja, continua, é porque a linguagem tem por natureza a simplicidade, assim como a natureza tem esta por linguagem. Flocos de neve descem a encosta do morro pela gravidade. Unem-se e continuam descendo. Crescem porque vão encontrando mais flocos pelo caminho. Já deixaram de ser o que eram. Mas não deixaram de ser. E sempre terão sido. E assim sempre serão.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Com licença, vomitarei.
E, depois de anos, novamente. Sempre novamente, é tudo novo, e ao mesmo tempo velho. Que conceitos ainda valem? Parece sempre haver uma contrapartida anuladora. A gente segue como que participando de uma equação cujos termos não fogem muito de um desvio padrão, e avessos. De maneira que quase nada é certo, mas também quase nada é errado, e vide o diverso. É impressionante, tudo nos foge, como nada nos pertencesse. Ou, bem, que é pertencer? Tudo que não nos deixa transparente? As palavras, por exemplo. É como se não as dissesse - elas que me dizem, e sem pedir licença. Dizem supostamente subordinadas, mas quão independentes! Não tente entender frases feitas de verbos fugitivos! Ah, que perigo. A natureza humana vive sobre este e tais perigos. Ou estou dizendo bobagens. O que não livra ninguém da responsabilidade, talvez a única que nos caiba, de continuar sempre procurando algum sentido. Mesmo a loucura procura algum sentido - é como a ordem dentro do caos. E assim corremos ao infinito, coisa louca. E se não fechar o círculo? Terá valido a pena?
Veja como eu digo, mas só por um instante: toda força dispendida é a medida certa para aquilo que ela causa, mas também é o preço do que deixou de causar. Aparentemente temos aí um dilema eterno. Mas que eternidade é essa que se aplaca com uma decisão - por vezes uma inconsciente decisão? A vida de um homem não cabe na sua memória? Possivelmente nasci quando lembrei pela primeira vez, e isto não tenho idéia de quando aconteceu - me escapa. Voltamos a toda sorte de coisas que nos são escapáveis, das mais corriqueiras às grandiosas. A morte, entre as grandiosas, vez por outra encara e o duro de mirá-la é percebê-la inesquecível. E falo vez por outra para menosprezá-la. O menosprezo, note, é não mais que uma fuga, e o problema da fuga é ter os olhos virados para frente, para o oásis da salvação, que é sempre suposta. Isto porque parece haver alguma liberdade sem limites vislumbráveis a permitir devaneios, inchamento de egos e proclamação de todo tipo de verdades, geralmente para vencer batalhas contra o medo. Algum medo. Talvez desse vazio, filho da anulação. será da solidão?
E, depois de anos, novamente. Sempre novamente, é tudo novo, e ao mesmo tempo velho. Que conceitos ainda valem? Parece sempre haver uma contrapartida anuladora. A gente segue como que participando de uma equação cujos termos não fogem muito de um desvio padrão, e avessos. De maneira que quase nada é certo, mas também quase nada é errado, e vide o diverso. É impressionante, tudo nos foge, como nada nos pertencesse. Ou, bem, que é pertencer? Tudo que não nos deixa transparente? As palavras, por exemplo. É como se não as dissesse - elas que me dizem, e sem pedir licença. Dizem supostamente subordinadas, mas quão independentes! Não tente entender frases feitas de verbos fugitivos! Ah, que perigo. A natureza humana vive sobre este e tais perigos. Ou estou dizendo bobagens. O que não livra ninguém da responsabilidade, talvez a única que nos caiba, de continuar sempre procurando algum sentido. Mesmo a loucura procura algum sentido - é como a ordem dentro do caos. E assim corremos ao infinito, coisa louca. E se não fechar o círculo? Terá valido a pena?
Veja como eu digo, mas só por um instante: toda força dispendida é a medida certa para aquilo que ela causa, mas também é o preço do que deixou de causar. Aparentemente temos aí um dilema eterno. Mas que eternidade é essa que se aplaca com uma decisão - por vezes uma inconsciente decisão? A vida de um homem não cabe na sua memória? Possivelmente nasci quando lembrei pela primeira vez, e isto não tenho idéia de quando aconteceu - me escapa. Voltamos a toda sorte de coisas que nos são escapáveis, das mais corriqueiras às grandiosas. A morte, entre as grandiosas, vez por outra encara e o duro de mirá-la é percebê-la inesquecível. E falo vez por outra para menosprezá-la. O menosprezo, note, é não mais que uma fuga, e o problema da fuga é ter os olhos virados para frente, para o oásis da salvação, que é sempre suposta. Isto porque parece haver alguma liberdade sem limites vislumbráveis a permitir devaneios, inchamento de egos e proclamação de todo tipo de verdades, geralmente para vencer batalhas contra o medo. Algum medo. Talvez desse vazio, filho da anulação. será da solidão?
Assinar:
Postagens (Atom)