Fui ver
O Código da Vinci. O livro não li porque já havia lido
Anjos e Demônios, o qual definitivamente não se trata de um convite à leitura de sua (Dan Brown) insipiente coleção de livros que me recuso a chamar
obra. Não que este último seja de todo ruim. Algo lhe salva, que é o mesmo que imaginei que salvaria o livro O Código da Vinci: a história é bem amarrada, resultado de uma profunda pesquisa do autor, que traz à tona algumas valiosas informações que provocam boas indagações em alguém em que tiver sobrevivido um mínimo de razão. O primeiro pensamento que tive ao encerrar Anjos e Demônios foi o de que este livro viraria um filme, sem dúvidas,
hollywoodiano típico, porque trata-se exatamente de um roteiro para uma película nesses moldes. Daí porque resolvi ver o filme O Código... no lugar de ler o roteiro. Agora, disseram-me alguns que o filme exclui certas passagens e conta de forma diversa outras - mas eu duvido que no livro tivessem alguma profundidade, pois isto parece escapar de Dan Brown. E de fato, o que para mim se apresentou na tela não foi mais que uma
série de links a serem pensados noutro momento (o filme obviamente não inclui um espaço para isso) reunidos numa trama simplória e forçada.
A História virou pop. Não consigo pensar em melhor exemplo do que este fato por mim presenciado ontem: o filme e seus apontamentos (mais especificamente um deles, que já exponho) era discutido no programa
SuperPop, da Rede Tv!, apresentado pela cabeça mais pensante deste país,
Luciana Gimenez. Meu irmão chamou pra ver, já que eu havia retornado do filme falando em
Opus Dei, que - agora exponho - era o assunto em pauta do programinha (Deus ou os astros livraram Leonardo da Vinci dos maldizeres de Gimenez e seus convidados). Aqui, é necessário fazer ainda mais concessões para dizer que foi proveitosa a experiência de assistir. Sobre a apresentadora não direi mais que proporcionou os melhores momentos da noite enquanto manteve-se calada. Uma das convidadas era
Tati do BBB, uma boxeadora que por algum distúrbio de personalidade acreditava ser uma estudiosa do assunto. Outra, não fiz questão de pegar o nome, mas tinha uma voz horrível, o que não vem ao caso, como não vinham nem um pouco suas opiniões - e ela era insistente. Tinha um, também anônimo para mim, que ganhou minha simpatia por seu costume de pouco falar.
Para completar a série de convidados irrelevantes - de forma estupenda - havia um
padre (e o chamando assim ofendo a todos padres de bom coração e sã consciência - perdão), tirado não sei daonde, que, de duas palavras que falava, em uma se contradizia. Não consigo me furtar de dar o exemplo-mor: depois de ouvir sobre o teor da conversa, que discorria (como falei) sobre as impropriedades da Opus Dei de forma realmente contundente e indignadora (graças aos outros dois convidados-messias, a descrever), o
padre quis levantar uma bandeira contra aquele despautério (práticas da Opus Dei), segundo ele a sociedade deveria reunir forças contra aquele desacato. Instantes antes, ele mesmo havia admitido ter feito uso do cilício (
autoflagelação às ganha). Questionado sobre este indício de contradição (um pasmo de lucidez, irrepetível, na Luciana), o
padre tratou de se
explicar dizendo que fazia tal sacrifício porque não tinha o que fazer enquanto separava laranjas na Itália e, além disso, era
bom para esquentar (?).
Uma ressalva que não pode deixar de se fazer diz respeito à bizarra narração das matérias que permearam o programa (todas relacionadas à Opus Dei). O pior é que as matérias ainda foram bem feitas, coitados. Digo, entrevistaram as pessoas certas, tentaram ouvir o pessoal da Opus (sem sucesso), foram nos lugares em que deviam ir, buscaram informações e as apresentaram. Só que o texto foi narrado por um desses caras que anunciam comercial de motel (mas quinze vezes mais forçada), numa voz pseudo-sexy (mas tão psedo que não enganaria a mais ingênua das freiras). Essa parte provocou risos estupefatos e depois gargalhadas incrédulas.
O que sobrou? Restaram os dois últimos convidados:
Betty Silberstein, mãe de um numerário (praticante da Opus), que recentemente lançou o livro
A falsa obra de Deus; e um ex-numerário, que seguiu a doutrina por 10 anos. A mãe luta para resgatar o filho da seita conservadora que o enganou e continua enganando. O ex-numerário conta dos pormenores da dita-cuja. Muito interessante, por vezes espantoso. Mas isso fica pra outro post.